quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Uma Tarde no Museu - Museu da Cachaça


Seu garçom, meu camarada, uma dose de museu com limão, por favor!
A cachaça é um bem brasileiro, sabemos. Imortalizada com música*, com programas infantis, até mesmo com o Pato Donald. Já teve até decreto presidencial para a elaboração da caipirinha (que tem sua raiz na cachaça com limão e só depois adaptada para outros destilados com frutas diversas [a de tamarindo {com cachaça} em Salvador é uma delícia].
E em Maranguape, Fortaleza, CE, localiza-se um museu dedicado à dita cuja, à marvada. É o Museu da Cachaça, que na verdade poderia se chamar Museu da Ypióca e seria muito menos abrangente e muito mais ético.
O Museu conta a história de empreendimento que foi a criação da cachaça Ypióca no Ceará. Não necessariamente da cachaça como um todo, mas de uma marca específica. Marca que de certa maneira ajuda a contar a história do ciclo da cana no país e ajuda a muita gente a contar histórias pelos bares do país.
O Museu da Cachaça faz parte do complexo YPark, que conta também com um parque de aventuras, fazenda e restaurante. O Museu propriamente dito foi a casa – em estilo colonial – da família Telles, dona da Ypióca. Então já dá pra adivinhar o que deve ter nesse museu, né? A história da família Telles que está em sua quarta geração produzindo cachaça.




Representação da cozinha original.
  

Representação de escravos na moagem da cana.






Pertences do patriarca.
A visita conta um vídeo sobre a Ypióca.



Na sala "grega" uma homenagem à cultura da bebida! Entre as exposições
vários copos onde se beberam cachaça (sempre que viajo compro
um copinho de cachaça pra minha tia, é tradição).




O processo de fabricação da cachaça no museu é bem sensorial.

Enormes tonéis onde a cachaça é armazenada
por 6 anos antes do consumo.


Mas a menina dos olhos do YPark é o maior tonel de madeira do mundo. Em números: 8m de altura, 7,5m de diâmetro e capacidade para 374 mil litros de cachaça. Cacildis!



Outra graça do complexo é a casa de engenho (com altos pés de cana ao lado) onde é servido o alfininho. Ou puxa, como diria minha avó. Pois como disse uma senhora lá (que montava no boi do engenho do pai e estava se identificando com tudo), quase todo mundo teve uma avó que fazia puxa. E puxa/alfininho é o estado pré-rapadura, onde ela não está totalmente líquida mas ainda não completamente dura. Eu chamo de rapamole. E você tem que ficar puxando pra dar liga, e quanto mais você puxa mais ele fica duro e branquinho, branquinho. 

Fazendo alfininho no fogão à lenha.

Cozinha da casa de engenho.

























Quando voltei de Fortaleza, meus amigos logo perguntaram “Gostou do Beach Park?”, “Mas eu nem fui”, “Ué! O que você fez então em Fortaleza, se não foi ao Beach Park?", “Ah, fui ao Museu da Cachaça”, “...”.
*"Mulher, patrão e cachaça / Em qualquer canto se acha"

1 mil comentários:

Camila disse...

Que delícia! Adoro uma cachaça, nhami! :B