Um memorial, adivinha só!, se relaciona com a memória. E memória não é passado, veja só!, é presente. O memorial enquanto instituição, evoca fatos do passado de acordo com os interesses do presente, além de ser um ambiente de reflexão sobre o tal passado. O contemplar por contemplar deve abrir espaço para o contemplar para refletir. Geralmente quando somos nós mesmos que fazemos um memorial, é para elucidar autoconhecimento a partir dos fatos que mudaram nossa percepção de vida. E ao fazer um memorial de outrens, focamos a atenção nos impactos que os fatos dessas pessoas (ou instituições) causaram, promovendo interrogações.
O Memorial JK é fruto de um projeto idealizado pela Dona Sarah Kubitschek para ser um museu com objetos e documentos do presidente, centro de cultura que promova e propague o idealismo e dinamismo de Juscelino e mausoléu onde contemple os restos mortais do presidente. Niemeyer, antes mesmo de conhecer as idéias de Dona Sarah, já a entrega um esboço do que seria o memorial. E o mesmo foi inaugurado em 1981, 5 anos após a morte de Juscelino.
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| Fonte: site do Memorial JK |
O museu é composto por 2 grandes corredores cheios de painéis de fotos, documentos, objetos e textos que remetem à história de Juscelino Kubitschek. Sempre com bastante ênfase em seus feitos e sua importância histórica.
No saguão central, uma mesa com margaridas. Além de exposições sobre JK, olbras de artistas como Tomie Ohtake, Niemeyer e a Flor
do Cerrado (de uma artista que infelizmente não anotei o nome).
| Cadeira de Ohtake |
| Oscar |
| Flor do Cerrado |
| Niemeyer |
A reconstrução da biblioteca tal
qual era no Rio de Janeiro é de admirar. Como a coleção única de Shakespeare (que segundo um funcionário que parecia um mestre de cerimônia, é uma coleção que só há 2 exemplares no mundo: o da Rainha Elizabeth II e essa que ela presenteou Juscelino),
de Machado de Assis e Rômulo e Romo mamando a loba romana sobre a mesa. Há um
sistema de segurança que apita e acende uma luz quando alguém se aproxima das
estantes, portanto nada de ficar envergonhado.
Antes de entrar na biblioteca, há duas pinturas sobre JK. Uma de autor não identificado era sóbria e bastante escura, mostrando somente a
parte superior (foi a que mais gostei). A outra duas foi pintada por Cândido
Portinari e exibia um Juscelino de corpo inteiro, com a faixa presidencial e
numa pose de autoridade nacional.
No andar superior havia vários
painéis grandes de fotos do Juscelino com celebridades. A primeira delas é com
o ator Marlon Brandon (a legenda fazia alusão a dois “poderosos chefões”).
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| Fonte: site do Memorial JK |
| Insígnias e mais condecorações. |
O outro lado é composto por mais diplomas e condecorações. É para quem tem paciência de ver tudo ou admirar a bela coleção de homenagens e méritos do presidente.
Por
ser um memorial em homenagem ao presidente e feito por sua família, há pouca
consciência crítica em sua montagem. O memorial elogia, enaltece e admira seu objeto
de museificação. O público também pouco tem espaço para sua voz sobre o que lá
está exposto. É um ambiente puramente contemplativo.
A ideia de
propagar e continuar com os ideais visionários e revolucionários do JK é totalmente
bem vinda, porém nessa visita não foi possível identificar algo além da
propagação. O Memorial JK é um ambiente que guarda e preserva objetos e o
túmulo do Juscelino numa localização privilegiada e estratégica que garante
grande visibilidade e imponência. É um ponto turístico que mostra a importância
do presidente e apenas exibe seus ideais.
A pequena exposição sobre a Ana
Christina o lado da entrada para a biblioteca é desnecessária. Ela é a atual diretora do memorial (neta de JK e esposa do Paulo Octávio - aquele ex-vice-governador da época do Mensalão do DEM). Não
me agrada ver que somente porque ela dirige o memorial tem que ser alvo de
uma exposição por menor que seja. Já que o memorial se propõe a fazer referências a quem seja
crucial na vida de Juscelino, não é porque é simplesmente da família que deve
haver alguma relação no museu. Ressalto que há uma sala reconstruindo o
gabinete da Dona Sarah Kubitschek.
O que mais me chamou atenção foi
a arquitetura externa do ambiente. O memorial possui o mesmo formato do túmulo.
Se o túmulo guarda os restos mortais do presidente, o memorial abarca os feitos
de sua vida. Sem falar da possível foice comunista logo na entrada.
Paga-se uma taxa de 6 reais (inteira) para visitar.
Proibido tirar fotos: Corredores de exposição e biblioteca.
Permitido tirar fotos: Saguão central, piso superior e mausoléu.



1 mil comentários:
Que maravilhosa a foto do ex presidente com o Marlon Brando... Poderosos chefões, de fato!
E concordo com você, exposição sobre a neta de Juscelino eh desnecessária!
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