quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Uma Tarde No Museu - Memorial JK

Um memorial, adivinha só!, se relaciona com a memória. E memória não é passado, veja só!, é presente. O memorial enquanto instituição, evoca fatos do passado de acordo com os interesses do presente, além de ser um ambiente de reflexão sobre o tal passado. O contemplar por contemplar deve abrir espaço para o contemplar para refletir. Geralmente quando somos nós mesmos que fazemos um memorial, é para elucidar autoconhecimento a partir dos fatos que mudaram nossa percepção de vida. E ao fazer um memorial de outrens, focamos a atenção nos impactos que os fatos dessas pessoas (ou instituições) causaram, promovendo interrogações.

O Memorial JK é fruto de um projeto idealizado pela Dona Sarah Kubitschek para ser um museu com objetos e documentos do presidente, centro de cultura que promova e propague o idealismo e dinamismo de Juscelino e mausoléu onde contemple os restos mortais do presidente. Niemeyer, antes mesmo de conhecer as idéias de Dona Sarah, já a entrega um esboço do que seria o memorial. E o mesmo foi inaugurado em 1981, 5 anos após a morte de Juscelino.

Fonte: site do Memorial JK

O museu é composto por 2 grandes corredores cheios de painéis de fotos, documentos, objetos e textos que remetem à história de Juscelino Kubitschek. Sempre com bastante ênfase em seus feitos e sua importância histórica.

No saguão central, uma mesa com margaridas. Além de exposições sobre JK, olbras de artistas como Tomie Ohtake, Niemeyer e a Flor do Cerrado (de uma artista que infelizmente não anotei o nome).


Cadeira de Ohtake
Oscar
Flor do Cerrado

Niemeyer




 A reconstrução da biblioteca tal qual era no Rio de Janeiro é de admirar. Como a coleção única de Shakespeare (que segundo um funcionário que parecia um mestre de cerimônia, é uma coleção que só há 2 exemplares no mundo: o da Rainha Elizabeth II e essa que ela presenteou Juscelino), de Machado de Assis e Rômulo e Romo mamando a loba romana sobre a mesa. Há um sistema de segurança que apita e acende uma luz quando alguém se aproxima das estantes, portanto nada de ficar envergonhado.

Antes de entrar na biblioteca, há duas pinturas sobre JK. Uma de autor não identificado era sóbria e bastante escura, mostrando somente a parte superior (foi a que mais gostei). A outra duas foi pintada por Cândido Portinari e exibia um Juscelino de corpo inteiro, com a faixa presidencial e numa pose de autoridade nacional.

No andar superior havia vários painéis grandes de fotos do Juscelino com celebridades. A primeira delas é com o ator Marlon Brandon (a legenda fazia alusão a dois “poderosos chefões”).



           No centro há o mausoléu, provavelmente a principal atração do memorial. Uma redoma com painél de Athos Bulcão, o túmulo no centro escrito somente O FUNDADOR e acima um vitral vermelho bem forte feito por Marianne Peretti (a mesma dos vitrais da Catedral).

Fonte: site do Memorial JK
          Porém, lá não é iluminado e aconchegante. É escuro, sombrio e bem lúgubre. Fui com uma amiga e ela não entrou lá por nada. Me  deixa feliz o fato dela ter achado desagradável o túmulo, pois não vejo que o museu tem que apenas gerar emoções agradáveis. O impacto é um fator importante que caracteriza a autenticidade e originalidade do ambiente. Porém concordo que o contraste entre diversão e algo funério não é dos mais convidativos. Pois um pode anular de imediato as possíveis reflexões geradas pelo outro.



Insígnias e mais condecorações.

       O outro lado é composto por mais diplomas e condecorações. É para quem tem paciência de ver tudo ou admirar a bela coleção de homenagens e méritos do presidente.

Por ser um memorial em homenagem ao presidente e feito por sua família, há pouca consciência crítica em sua montagem. O memorial elogia, enaltece e admira seu objeto de museificação. O público também pouco tem espaço para sua voz sobre o que lá está exposto. É um ambiente puramente contemplativo.
A ideia de propagar e continuar com os ideais visionários e revolucionários do JK é totalmente bem vinda, porém nessa visita não foi possível identificar algo além da propagação. O Memorial JK é um ambiente que guarda e preserva objetos e o túmulo do Juscelino numa localização privilegiada e estratégica que garante grande visibilidade e imponência. É um ponto turístico que mostra a importância do presidente e apenas exibe seus ideais.
A pequena exposição sobre a Ana Christina o lado da entrada para a biblioteca é desnecessária. Ela é a atual diretora do memorial (neta de JK e esposa do Paulo Octávio - aquele ex-vice-governador da época do Mensalão do DEM). Não me agrada ver que somente porque ela dirige o memorial tem que ser alvo de uma exposição por menor que seja. Já que o memorial se propõe a fazer referências a quem seja crucial na vida de Juscelino, não é porque é simplesmente da família que deve haver alguma relação no museu. Ressalto que há uma sala reconstruindo o gabinete da Dona Sarah Kubitschek.
O que mais me chamou atenção foi a arquitetura externa do ambiente. O memorial possui o mesmo formato do túmulo. Se o túmulo guarda os restos mortais do presidente, o memorial abarca os feitos de sua vida. Sem falar da possível foice comunista logo na entrada.






Paga-se uma taxa de 6 reais (inteira) para visitar.
Proibido tirar fotos: Corredores de exposição e biblioteca.
Permitido tirar fotos: Saguão central, piso superior e mausoléu.

1 mil comentários:

Luana disse...

Que maravilhosa a foto do ex presidente com o Marlon Brando... Poderosos chefões, de fato!

E concordo com você, exposição sobre a neta de Juscelino eh desnecessária!