Aviso aos navegantes que esse post tem spoiler. Sobre minha vida e um filme.
Ontem criei ânimo e coragem e fui finalmente me consultar com uma psicóloga. Pela primeira vez, conversaria com uma profissional e pagaria em dinheiro e não em cerveja para me ouvirem. Na verdade, ela havia cancelado a consulta de quinta e transferido para sexta, ok.
Depois de um trânsito nada amigável, cheguei 10 minutos no local, bati na porta e nada. Falei com o porteiro, e vocês acreditam que a bruxa tinha ido embora? "Saiu há 5 minutos e não volta hoje".
Pois além de consultar todos os xingamentos que aprendi com a minha mãe, saí de lá confabulando minha vingança.
Porém, nem tudo estava perdido. Como o shopping fica ao lado do consultório, fui ao cinema. Contágio, Soderbergh, Cottilard.
Obviamente odeio ir ao cinema, pois sempre me irrito. Dessa vez um grupo de adolescentes crepusculósas não paravam de falar. No meio do filme tive que mudar de lugar (odeio assentos marcados) e depois de novo porque um rapaz com supositório mal encaixado ficava chutando minha poltrona.
Pois bem, o filme. Antes de começar o dito, eu dei 2 tossidas por causa do frio. E a cena inicial, quando a tela ainda está toda escura, é justamente 2 tossidas. Já achei que era pessoal.
E começamos com a Gwyneth Paltrow. Acho linda e muito bem escolhida para fazer o papel de doente. Gente, basta colocar a cara dela lavada que já vira um morto-vivo. Aí depois o filme se desenrola e mostra que com a ajuda do piriguetismo da Gwyneth o mundo quase acaba.
A história é ótima por ser atual, abrir um leque de possibilidades de questionamentos e imagens bem feitas. E o filme tem tudo isso, e é ruim por isso também. O filme é repleto de histórias paralelas (muito bom) e nem todas com final conclusivo (qual o problema?). Mas dá uma sensação de ter sido feito com pressa, com medo de que uma epidemia mundial impeça o Soderbergh de fazer "32 Homens e um Segredo que todo Mundo já Sabe".
O filme é menos sobre epidemia mundial e mais sobre ética e sentimentalismo. Tem o Jude Law dando lição de moral, Kate Winslet doando agasalho mesmo quando precisa, Fishburn desistindo de sua vacina igual a Marion Cottilar.
Peraí, eu disse Marion Cottilard?
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| Larga ela!! |
Ohh, linda, diva, afrodite!!
Por mais que a participação seja pouca (depois de ela ser sequestrada!!! [3 exclamações pra vocês sentirem a gravidade do negócio] o filme passa quase 1 hora sem citar a graciosa novamente), ela é um arraso na elegância minimalista. Sua última aparição é contida e marcante.
Mas filmes como Ensaio sobre a Cegueira (graças ao Sarará, primeiramente) e até os de zumbi Extermínio I e II, tratam o caos social e infeccional de forma mais convincente. Mais tudo na verdade.
A trilha de Contágio é muito boa, capricharam na tensão - e parece ser a mesma o filme todo, então prolonga o medo só de lembrar do som. E a fotografia também - igual Traffic do Soderbergh, onde a história da Zeeta-Jones era esbranquiçada, do Douglas era azulada e do DelToro era amarelada (ahhh prestem atenção no oriental de Contágio, é a cara do DelToro de olhos puxados). Em Contágio a imagem está quase sempre com um verde catarro. Igual dos posteres.
E o que mais te deixará agoniado é que enquanto você se surpreende como um vírus é transmitido facilmente, alguém do seu lado estará espirrando.
| Minha homenagem ao Contágio |

4 mil comentários:
Vi o trailer no cinema há umas 3 semanas e não me interessou nadinha. Sei lá, não tenho muita paciência pra esses filmes catastróficos.
Cinema mais perto daqui fica em Antuérpia... Da melo preguiça de ir ate la... Mas quem sabe? vou ver o trailer
Já baixei o filme da internet mas ainda não tive saco pra ver.
Ri alto com a sua foto em homenagem ao filme!
Gostei, divertido e intelectual ao mesmo tempo. Criativo! =)
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