Andei pensando (literalmente, pois enquanto eu caminhava da universidade pra casa comecei a ter uns pensamentos)... e estou postando aqui porque lembrei e recordar é viver.
Há uma professora que admiro muito. Com a experiência de vida e trabalho que ela teve, percebe-se o nível alto de sabedoria e cultura que ela tem (não é uma pessoa chata, pelo contrário, tem idéias totalmente fora do senso comum e sem frescura). Então pensei aquela típica frase de criança "quando eu crescer quero ser igual ela". E lembrei de quantos professores já me inspiraram.
Foram poucos. Pois se houver um pouco de sorte, você encontra algum professor que muda sua forma de se enxergar e ao mundo. Alguns despertam aquela vontade de ser tão inteligente e esclarecido, e principalmente sempre buscando conhecer mais. A realidade é que, infelizmente, muitos professores despertam mais ódio que admiração.
E me fez recordar de um vídeo em que vi a ex-apresentadora do Saia Justa (nunca assisti) e, antes de tudo, filósofa Marcia Tiburi. Ela falava sobre como o ensino é precário na educação de artes, por exemplo. E artes, filosofia, são áreas que, por ofício, te levam à reflexão, ao autoconhecimento, ao pensar em si e em seu redor. E é realmente isso, pois o pouco que se propõe só leva à auto-depressão (meus desenhos só mostravam que eu não tinha coordenação motora - talento mesmo, assume! - e, praticamente, fui expulso das cênicas depois de dizer que não gostava de declamação de poesia, achava um saco). Então, eu não me expressava e pouco sabia fazer, e as disciplinas tampouco me impulsionavam a isso. A cultura ao meu redor era precária e de observação sem aprofundamento.
Talvez por isso eu procurava nos comportamentos das pessoas algo que remetesse a mim. E como educação vem de berço, eu olhava pra minha família para poder saber o que eu era ou queria ser ou não ser. Eu via um irmão e pensava "ótimo, quero isso", olhava pra outro e "não, essa atitude não". Na sociedade, na escola, os amigos... tudo era assim.
Acredito que é por isso que quando as pessoas crescem buscam profissionais da psicologia para ajudarem a se entender, se ver. Vai até um profissional dessa outra área que por excelência é de autorreflexão, saúde mental, para suprir sua necessidade de posicionamento e diminuir a confusão na sua cabeça. A gente precisa de ajuda profissionalizante pra saber quem somos. E, pelamor, não digo que isso é errado.
Porque brasileiro adora essa questão de certo x errado. No mínimo é herança de um país católico, temeroso em ir pro inferno. As pessoas tremem quando acham que estão erradas ou quando a julgam assim. Estar errado é a maior ofensa que um brasileiro pode ter. Ninguém leva em conta a ideia do sábio dos sábios na idade antiga que via na ignorância a porta do saber. "Conhece-te a ti mesmo". Parece banal, mas a ignorância é o primeiro passo para a sabedoria. Você só passa a conhecer aquilo que sabia antes, o que errou. ("gênio é aquele que enxerga o óbvio"). E hoje vejo MUITAS pessoas que insistem no erro por vários motivos, um deles é o de não se enxergar como ignorante.
Tudo é motivo de ofensa e nada de reflexão.
1 mil comentários:
Vc me fez pensar que eu nunca tive um professor que eu admirasse a ponto de pensar "qdo eu crescer quero ser igual", mas já esbarrei com muitas pessoas que me despertaram esse sentimento.
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