É... parece que há luz na idade das trevas em que vivemos.
Estava sentado no banco do ônibus às 18h30 de uma terça
feira e estava começando a ficar lotado. Geralmente nessas horas há alguém
ouvindo um funk, hip-hop ou sertanejão... ou a nova versão enviada pelo cão: Paula
Fernandes (acho que é isso). História já batida essa. Mas o que venho
compartilhar é algo novo, inusitado!
Eis que de repente ouço uma melodia progressiva e familiar vindo
de longe. Aí ouço a voz inconfundível da Beth Gibbons. É ROADS DO PORTISHEAD
SENDO TOCADA NO ÚLTIMO VOLUME! Eu vou repetir: É A fucking ROADS DO fucking PORTISHEAD
SENDO TOCADA NO fucking ÚLTIMO VOLUME!
Pra quem não sabe, eu estou falando disso:
Interpreto como um sinal de salvação.
Vinha do celular de um rapaz que pode ser definido como
rockeiro. Tinha tatuagens, era careca e vestia preto. Isso é rockeiro ou
skinhead? Eu to tão desatualizado do mundo que nem sei se ainda chamamos alguém de
rockeiro ou temos que partir pros subgêneros. De qualquer modo, acredito que
ele estava meio revoltado com quem ouve Luana Santana e resolveu fazer o
mesmo – só que com uma música boa.
Eu entendo a indignação dele e apoio e já pensei em fazer o
mesmo e digo que não farei. Não faço porque morro de vergonha de chamar atenção
e acho que ouvir uma música alta é além de brega, sinônimo de falta de
capacidade de conviver em sociedade. Afinal há quem não goste de Portishead e
também não está gostando daquela música de enterro no seu ouvido. A pessoa tá
louca pra chegar logo em casa e rolar um esfrega com Michel Teló e fica sendo torturda com uma música suicida.
Bem... se eu fosse escolher alguma música pra tocar amanhã –
segunda feira – no trajeto minha casa –>
Esplanada, seria essa:
1 mil comentários:
Se eu fosse sem noção como esse povo eu colocaria "rock and roll" do Led Zeppelin às 6:30 da manhã, acordava todo mundo no ônibus! haha
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