Nunca fui muito de ter um ídolo da minha geração que me representasse. Um artista que definisse quem sou através de suas idéias expressas por sua arte e vida. Obviamente tenho alguns poucos artistas que acompanho a carreira por me identificar com algo ou simplesmente por tocarem algum ponto emocional meu. Sabe-se lá qual!
Agora... que eu fiquei desolado com a morte da Amy Winehouse, eu fiquei. E antes que hipócritas e burros venham dizer que eu deveria lamentar a morte dos noruegueses, preocupar com a fome na Malásia, cuidar da minha família e todos esses exemplos chulos de quem acredita que os outros sempre deveriam fazer algo mais importante do que estão fazendo, eu já digo: usem um espelho.
Tudo bem que a Winehouse de 2011 não é a mesma de 2007 (assim como o Michael de 2009 não era o mesmo de 1989). Mas quando se aprecia um artista que por algum motivo deixa de realizar a arte que sabia fazer, há sempre uma vontade de que a estabilização volte. Ou pelo menos minimize a instabilidade, já que é isso que faz com que muitos gênios sigam expressando sua genialidade.
Óbvio que o problema da Amy era mais de saúde (física e psicológica) que de talento. Por isso que sempre achei um tanto de exagero de quem ia aos shows dela exigindo o máximo que ela dava antes. Eu mesmo pensei várias vezes "como que deixam ela fazer isso? Por que não a fazem voltar aos palcos só depois de realmente reabilitada?" Bem, talvez por motivos contratuais (afinal, por mais dopada que estivesse, ainda lotava os shows - talvez justamente por isso), ou pelos shows fazerem parte do incentivo a seu retorno...
De qualquer forma é triste saber que a cantora que eu ouvia com bastante frequência e que me fez gostar mais um tanto de jazz, soul etc., morreu. Ela foi uma cantora da minha geração, que vi estourando sucesso e acompanhei quase desde o começo. Diferente de quando ouvi que o Michael Jackson morreu. Ok, foi um artista e tanto, conheço as músicas e tudo mais. Mas ele não "nasceu e cresceu" junto os artista que eu vi "nascer e crescer".
Assim, acredito que a Winehouse foi a primeira perda da minha geração perdida.
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