Vez ou outra me pego pensando qual foi o primeiro filme que assisti de determinado diretor, antes de me tornar um curioso com todo o legado e ter vontade de assistir tudo que ele tenha dirigido. Do Almodóvar foi Carne Trêmula - que loquei junto com Fale com Ela. E logo depois fui pegar o Má Educação (até então seu último filme) [eu devia ter uns 15 / 16 anos, naquela semana]. E algo que me veio à cabeça depois dessa tríade foi que Almodóvar tratava de personagens de certa forma ingênuos que tinham sua vida transformada completamente após um fato inusitado envolvendo muita paixão.
Claro que depois eu vi que essa era apenas uma característica dentre muitas extraordinárias que eu viria.
E por um tempo eu resumia Almodóvar a uma imagem do primeiro filme dele que vi.
Isso não saía da minha cabeça:

Bem, depois passei a querer assistir tudo dele, mas sem nenhuma overdose. Tudo aos poucos. Vi Tudo Sobre Minha Mãe no Anf.15 da UnB umas duas vezes. Nem só de livros vive a Biblioteca Central da UnB, também tinha como pegar VHS e foi o que eu fiz para ver Ata-me! numa salinha minúscula com uma cadeira e uma TV. Comprei o Kika nas Americanas (e quem tem esse filme, muito provavelmnte comprou lá também). Fui ao Cine Brasília que exibiu O Que eu fiz para merecer Isso?, que talvez ocupe o lugar do primeiro Almodóvar que vi no cinema. Porém esse lugar é justamente ocupado por Abraços Partidos - que diferentemente do anterior, não era numa mostra de cinema cult, mas uma estréia comercial. E antes disso tinha visto no CCBB Labirinto de Paixões numa mostra que misturava Woody Allen e Pedro Almodóvar. É demais prum corpo só!
O mesmo CCBB que agora exibe uma mostra com toda a filmografia de longas do espanhol. Fui ver ontem De Salto Alto, mas para minha surpresa algo que não deveria me surpreender aconteceu: ingressos esgotados. Rotina no CCBB - único lugar do Distrito Federal que tem colhões pra fazer algo que presta. Resultado não poderia ser outro, super lotação.
Eu queria aproveitar pra ver De Salto Alto e Matador - os que ainda não vi. Além de um documentário e as palestras, claro. Porque por muito tempo eu dizia que o Almodóvar é o meu diretor vivo favorito. Depois passei a deixar essa idéia de lado, por achar muito pop e começar a ver que essa história de melhor dos melhores limita de mais a vida. Mas quando cheguei ao CCBB e vi um mosaico gigantesco com as capas de todos os filmes dele, eu tive a certeza de que ele merece toda minha admiração. Todas aquelas histórias passavam misturadas pela minha memória.
E vi que é assim, como um Dom Quixote desajuizado que acredita fielmente que as aventuras do mundo não são puramente ficcionais, mas verdadeiras, que Almodóvar enxerga as relações humanas: loucas e possíveis.
3 mil comentários:
Que Blog maravilhoso. Adorei!!!!! A diversidade dos temas... wow... Chapeau!
Cara, vc escreve muito bem!
Eu ADORO MUITO o Almodóvar, já vi quase todos dele. Só tem 1, que por ser muito, mas muito doido, não consegui terminar de ver. Nem sei direito o nome do filme, mas lembro de uma cena louquíssima onde tinha umas freiras que cheiravam muita cocaína e depois saiam correndo pelo convento!
Tentando lembrar qual foi meu primeiro Almodovar. Fale com ela ou Mulheres à beira de um ataque de nervos, não lembro bem.
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